Mente de futurista

Qual o modelo mental de quem está o tempo todo perscrutando o futuro? E o modo de pensar de um executivo visionário e estrategista?

Revista Época Negócios – por Oscar Motomura

Entre os futuristas que conhe­ço, um se destaca pelo índice de “acertos”: John Naisbitt (autor de Megatendências), que enxergou déca­das antes o mundo em que vivemos hoje. Previu inclusive a ascensão da China. Mas como acerta tanto? Como ouviu muito isso, acabou escreven­do um livro sobre o próprio “modelo mental”, em que expõe suas princi­pais premissas para prever o futuro.

Primeira: muitas coisas mudam, mas a maioria permanece constante. As mais importantes são constan­tes fundamentais na vida (família, escola, trabalho, religião, esportes) e precisam estar no tabuleiro o tempo todo. Na dimensão empresarial, que constantes devem-se levar em conta ao se projetar o futuro?

Segunda: o futuro está embutido no presente. Está conosco hoje e em todo lugar. Se­gundo Naisbitt, os jornais são o pri­meiro rascunho da História. Na sua empresa se conversa sobre os sinais do futuro já evidentes hoje?

Terceira: concentre-se no placar do jogo para distinguir fatos de aparências. O pla­car é fato. O que se diz sobre ele já é in­terpretação. Ao fazer previsões, você sabe distinguir fatos de opiniões?

Quarta: compreenda o poder de não ter de estar certo o tempo todo. Nesse estado mental, ficamos livres para pensar e entender o mundo e sua dire­ção. Na sua empresa, todos são livres para usar a imaginação ou sentem­ se obrigados a estar sempre certos?

Quinta: veja o futuro como um quebra-cabeça. Conecte, digamos, algo vivido no trabalho com algo lido no jornal. Veja como as peças formam uma nova imagem. O fu­turo não é linear. Sua empresa faz planos lineares ou prepara-se para incertezas e surpresas?

Sexta: não se antecipe demais ao desfile para não parecer que não faz parte dele. O momentum para um novo projeto já existe ou é uma possibilidade ainda remota?

Sétima: quando os benefí­cios são reais, as mudanças “pegam”. Resistência a mudanças é mito. Que benefícios reais seus clientes, o mer­cado e a sociedade buscam?

Oitava: as mudanças que mais esperamos sempre acontecem mais lentamente. Por impaciência. sua empresa assu­me riscos excessivos e até abandona projetos prematuramente?

Nona: o futuro é moldado buscando-se oportunidade, não solucionando problemas. Seus planos incluem oportunidades inéditas? Ou foca a resolução de problemas do passado?

Décima: não acrescente sem subtrair. Para detectar megatendên­cias, foque as principais. Se surgir mais um fator importante, elimine um dos outros. Ao decidir por um novo negócio, produto ou serviço, quais dos antigos deve-se suprimir?

Uma 11ª premissa que Naisbitt adi­cionou: não esqueça a ecologia da tecnologia. A internet e o celular são um fenômeno tecnológico ou social? O que as novas tecnologias podem trazer à sua empresa, clientes, fun­cionários, acionistas, fornecedores e à comunidade? Até que ponto seus planos para o futuro colocam essas questões no centro de tudo? Boas previsões. Bons planos. Excelente Ano. Para todos. E para o todo.

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