Carta a um jovem instrutor de informática: como começar?

Uma única conversa à mesa com um homem sensato vale um mês de estudos nos livros
– Provérbio chinês.

Caro colega, salve!

Você me pergunta por onde começar a dar aulas de informática, haja vista que foi convidado para ser educador social em um projeto voluntário de inclusão digital. Você diz que não possui curso superior de pedagogia e por isso não estaria habilitado a dar essas aulas de informática.

Sei que vou queimar no inferno-do-mundo-acadêmico afrontando os “doutôres-das-letras” nos muros das universidades ao lhe aconselhar, mas Chico Xavier, o apóstolo de Jesus, disse certa vez: “quem sabe, pode muito; quem ama, pode mais”.

Você ainda comete o sacrilégio de me chamar de professor, título que ainda não tenho e estou muito longe de obtê-lo. Instrutor de informática até pode, mas saiba que em minhas turmas quando algum educando me chama de professor é obrigado a pagar R$ 1 em duas moedas de R$ 0,50. Foi a forma fraterna de estimular os estudantes a me chamarem pelo nome. Vou a eles do mesmo jeito.

O mais importante você já tem: o convite para uma ocupação das mais nobres e a possibilidade de compartilhar os seus dons. Por isso o melhor jeito para começar é dando aulas sem os alunos perceberem que você faz isso.

Uma boa estrategia é uma aula no estilo Byte Papo. Eu criei a palavra, mas a técnica foi ensinada pelo arquiteto da informação Richard Saul Wurman em seu livro Ansiedade de Informação 2 – Um guia para quem se comunica e dá instruções.

O capítulo 5 – Estrutura da Conversa é uma pérola, pois o próprio texto na página já é uma espécie de conversa. É inspirador o livro, pois traz de uma forma didática uma espécie de engenheria reversa nas aulas de informática.

Desde que foi lançado em 1989, Ansiedade da Informação – Como transformar informação em compreensão, mudei a forma de ministrar aulas, palestras e seminários.

Percebeu? Não nasci com o dom da palavra ou a inteligência, mas fui construindo essas capacidades ao longo das oportunidades que cruzaram minha vida.

Estou te enviando os dois exemplares para seu estudo e deleite. Desejo que você possa se tornar um dos melhores educadores sociais de informática. Busque no blog mais ajudas. A seção InsTrUTOR foi concebida para isso: trocar experiências entre professores, instrutores e educadores de informática.

Segue abaixo uma bibliografia que estudei durante dois anos para tentar aprender o ofício de instrutor e assim consegui ministrar melhores aulas.

Bração e boa $orte,
Quemel

BIBLIOGRAFIA PARA QUEM QUER SE TORNAR INSTRUTOR DE INFORMÁTICA:

ALVARES, MARIANI e SALES, Ângela Maria, Antônio Carlos e Márcia Barros deInformática para a 3ª Idade, Editora Ciência Moderna, Rio de Janeiro, 2009.

AQUINO, Carlos Tasso Eira de, Como aprender – Andragogia e as habilidades de aprendizagem, Pearson-Prentice Hall, São Paulo, 2008.

BORDENAVE e PEREIRA, Juan Díaz e Adair Martins, Estratégias de Ensino-Aprendizagem, Editora Vozes, 26ª Edição, Petrópolis, 2005.

DEMO, Professor do futuro e reconstrução do conhecimento, Ed. Vozes, 4ª edição, Rio de Janeiro, 2004.

DONADIO, Mário, Treinamento & Desenvolvimento Total – Ensinando as empresas a aprender, Qualitymark Editora, Rio de Janeiro, 1996.

GIL, Antônio Carlos, Didática do Ensino Superior, Ed. Atlas, São Paulo, 2007.

HOLTON III, KNOWLES e SWANSON, Elwood F., Malcolm S. e Richard A., Aprendizagem de resultados – Uma abordagem prática para aumentar a efetividade da educação corporativa, Editora Campus, 2ª Edição, Rio Janeiro, 2009.

KACHAR, Vitória, Terceira Idade & Informática – Aprender revelando potencialidades, Cortez Ed., São Paulo, 2003.

LOWMAN, Joseph, Dominando as técnicas de ensino, Editora Atlas, São Paulo, 2004.

MILITÃO, Rose, Histórias & Fábulas aplicadas a treinamento, Qualitymark, São Paulo, 2002.

PARINI, Jay, A arte de ensinar, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2007.

SEYMOUR, John, Treinando com a PNL – Recursos da programação neurolingüística para administradores, instrutores e comunicadores, Summus Editorial, São Paulo, 1994.

WURMAN, Richard Saul, Ansiedade de Informação – Como transformar informação em compreensão, Cultura Ed. Associados, São Paulo, 1991.

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Uma resposta para Carta a um jovem instrutor de informática: como começar?

  1. Daniel Soares disse:

    Olá! Meu nome é Daniel, sou formado em Sistemas de Informação e instrutor de informática desde o ano passado e me deparei com essa mesma situação descrita no texto, de não ter experiência como docente. Quero agradecer pela publicação dos livros, vou procurá-los e tenho certeza que vão ajudar muito.

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