[Livro] Educação, Estágio & Trabalho

Na Sociedade do conhecimento, os autores avaliam a crucial questão do ensino das nossas Universidades Brasileiras

O livro Educação, Estágio & Trabalho de Arnaldo Niskier e Paulo Nathanael aborda uma temática que tem sido pauta de uma das maiores discussões da nossa sociedade do conhecimento: a educação. A discussão gira em torno das duas vertentes educacionais: uma educação para a competitividade e outra para a cidadania. A obra mostra como o ensino superior do Brasil (ainda muito recente) tem de se adequar ao mercado cada vez mais exigente e ainda saber lidar com o despreparo dos alunos oriundos do ensino médio sem uma boa base educacional.

Educação, Estágio & Trabalho está dividido em duas partes. Na primeira parte, Arnaldo Niskier reflete sobre a educação em 10 capítulos e na segunda parte, o escritor Paulo Nathanael explica o que são os programas de estágio como o CIEE e quais os pontos negativos e positivos da educação a distância.

Niskier afirma que o crescimento do ensino superior de massa no Brasil tem demonstrado como a exigência de profissionalização do mercado trabalho é uma das características desse terceiro milênio, que tem como preocupação a inovação e a produtividade.

Para Niskier, o terceiro milênio deverá se constituir na queda do Estado paternalista e no fim das carreiras burocráticas e, para tanto, a universidade brasileira tem de enfrentar as mudanças do mercado de trabalho e se reestruturar.

Ainda segundo o autor, outros detalhes referentes ao processo histórico da educação brasileira se fazem necessários para compreensão do atual sistema de ensino. Para ele, a educação brasileira é marcada pelo dualismo, ou seja, escola para aqueles que tem opção e para aqueles que não tem opção, como podemos observar no exemplo citado pelos autores, a Lei de Diretrizes e Bases n° 5692 de 1971, que trouxe para o cenário educacional a profissionalização no ensino de 2° grau (conhecida como curso técnico).

Essa proposta política tinha como objetivo atingir as classes menos favorecidas que não conseguiam chegar ao nível superior de ensino e precisavam de alguma qualificação para entrar no mercado de trabalho, porém essa lei não foi bem-sucedida na prática porque a precariedade do ensino e a má-formação dos professores impediram que uma profissionalização qualificada se realizasse.

Uma das conseqüências desse descaso com a educação é o baixo nível de comunicação dos profissionais, pois, como acredita Niskier, o uso correto da língua portuguesa é um dos principais fatores para a construção da imagem e do reconhecimento de um profissional.

A obra aborda ainda o fato de as universidades brasileiras formarem profissionais incapazes de transmitir idéias corretamente e aponta as conseqüências: cidadãos que sofrem com as exigências da era da informação, devido a um acúmulo de falhas no sistema educacional brasileiro.

Paulo Nathanael aborda os aspectos conceituais e legislação do estágio, a criatividade de um estagiário, como a pessoa deve se comportar em um estágio, como agir na hora de pedir aumento, além de mostrar também quais as melhores empresas para estagiar entre outros pontos que podem favorecer e auxiliar o estagiário.

No último capítulo, Miscelânea, com o subtítulo Saber é Poder, Nathanael afirma que não há mais espaços para os despreparados no mundo contemporâneo, pois a informação passou a ser ferramenta básica para todos os indivíduos. É devido a essas transformações sociais que a educação brasileira precisa de uma reformulação e total revisão dos conceitos pedagógicos, segundo afirma o educador.

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