[Livro] Técnicas de comunicação escrita

O livro Técnicas de comunicação escrita, de Izidoro Blikstein, professor titular de lingüística e semiótica da Universidade de São Paulo, reaparece em sua 22ª edição e apresenta uma novidade importante para os leitores, explorando os detalhes da comunicação via e-mails.

Publicada originalmente na década de 1980, a obra partiu de uma indagação fundamental do autor: o que devemos saber para escrever bem? “Essa pergunta sempre era feita por alunos participantes de treinamentos ou orientandos de teses”, afirma Blikstein, que também é professor de Comunicações Empresariais na Fundação Getúlio Vargas.

Como proposta de trabalho, o professor procurou elaborar um texto claro, objetivo e divertido. Começa com a história de um gerente apressado que, por medo de viajar de avião, pede à secretária que lhe compre uma passagem de trem para o Rio de Janeiro. Só que o gerente redige um e-mail tão confuso que a secretária acaba por comprar o bilhete errado.

A partir daí, expõe as técnicas e os “segredos” da comunicação escrita.

Para Blikstein, a moral dessa história é “Quem não escreve bem… perde o trem!”. Esse é o título do primeiro capítulo, que constitui a tese do livro: se não escrevermos corretamente, não obteremos as respostas que esperamos.

A nova edição desse livro da série “Princípios” confirma sua permanente utilidade e praticidade, na medida em que possibilita ao leitor conscientizar-se da importância de uma boa redação, seja aquela que serve de comunicação nas organizações empresariais, seja a elaborada no ambiente acadêmico.

“Não escrevemos bem no Brasil”, esclarece Izidoro Blikstein. “Isso se deve a um equívoco histórico: confundimos a boa redação com o beletrismo, isto é, escrever bem é escrever nullbonitonull.” Segundo o professor, escrever bem é, antes de tudo, escrever de modo claro, conciso e atraente. “As pessoas escrevem (e falam!) sem ter consciência do modo como a mensagem foi elaborada. Partem do princípio de que nullse está claro para mim, está claro para o leitornull, o que constitui um trágico engano.”

A conseqüência desse equívoco, na avaliação de Blikstein, é a elaboração de textos confusos, obscuros e contraditórios, cujo resultado é ilustrado pela história contada acima, aquela do gerente apressado. “Quem não escreve bem, perde não só o trem, mas muitos outros bens: a calma, uma boa imagem e um bom cliente.”

A era dos e-mails
Em Técnicas de comunicação escrita, Izidoro Blikstein chega a minúcias a partir de temas mais amplos, como “Segredos da comunicação escrita”, “Estrutura e funcionamento da comunicação” ou “Ganchos para agarrar o leitor!”. A novidade especial desta 21ª edição, revista e atualizada, é a inclusão de um capítulo específico sobre redação de e-mails.

Quando o livro foi originalmente finalizado, ainda se engatinhava na utilização de computadores no dia-a-dia. Era o período de passagem da velha prática da datilografia para a digitação eletrônica. “Com as novas tecnologias, o grande instrumento de comunicação na vida social e familiar das pessoas é o e-mail”, diz o autor. Para não causar ruídos perturbadores, o autor aconselha seguir os “Dez pontos de honra do e-mail profissional”. Alguns exemplos: “Empregue estilo informal no e-mail pessoal e formal no e-mail profissional”, “Faça uma cuidadosa revisão do e-mail, antes de enviá-lo” e “Procure responder imediatamente”.

Ainda sobre as novas tecnologias, Blikstein admite que elas trouxeram rapidez, mas não qualidade. Crítico, o professor diz que, no caso dos e-mails, a comunicação escrita continua pouco eficiente. “Todos os dias, nas organizações do mundo inteiro, produzem-se milhares de e-mails, sem que se obtenham respostas satisfatórias. Continuam os problemas de entendimento, pois o texto dos e-mails é redigido apressadamente, sem revisão, o que acarreta uma quantidade infindável de ruídos de comunicação.”

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