[Artigo completa 20 anos] PC domestico, alternativa ao desemprego

Artigo publicado em 8 de dezembro de 1998 na seção Plug and Play do jornal O Popular (GO)

Por Luiz Henrique Quemel *

Com a explosão do desemprego, atingindo todas as faixas salariais, o trabalho em casa ressurge como opção do trabalhador para minimizar os efeitos da crise. Um novo tipo de trabalho vem se difundindo, viabilizado pelo avanço das tecnologias de informação e telecomunicação. Pessoas instaladas em suas residências e dispondo de equipamentos de informática tornam suas atividades uma fonte de renda, realizando por conta própria a produção de bens e serviços diretamente para o consumidor.

É nesse contexto que o PC doméstico sai da posição de um simples videogame e torna-se o bem mais demandado e, em alguns casos, mais cobiçado na hora da compra do que o aparelho de televisão. Uma conseqüência imediata é a agregação do núcleo familiar pelo nascimento de microempresas.

Se não considerarmos somente o desemprego como o principal fator para a busca de fontes alternativas de renda e o pleno emprego como um bem em extinção, como explicar por que cada vez mais pessoas compram computadores para o desenvolvimento de atividades produtivas e complementação de renda?

Temos duas hipóteses que justificam o fenômeno. A primeira, mais lógica, é a queda nos preços dos equipamentos, ampliada pela concorrência entre as lojas especializadas de informática, os hipermercados e magazines. Com um dólar baixo e os incentivos fiscais dados pelo governo, é possível adquirir um computador por cerca de R$ 900. Um exemplo sintomático é a Dell, que só vendia computadores direto ao consumidor. Com a crise, passou a escoar a produção por intermédio de grandes varejistas como Wal-Mart e Extra, dentre outros

A outra hipótese é a forte demanda por bens e serviços personalizados. O processo de globalização da economia ampliou nas pessoas o individualismo, tornando-as mais personalistas e sempre buscando produtos e serviços que sejam fabricados única e exclusivamente para elas e cujas especificações sejam voltadas para as necessidades próprias.

Numa economia globalizada em que, na maioria dos casos, há excesso de bens, a produção de algo exclusivo e especial sempre encontrará um consumidor mais exigente e com alto poder aquisitivo disposto a pagar mais pela sua grife pessoal.

Surgem, então, inúmeras oportunidades de trabalho para pessoas que possuam em casa um computador e idéias originais. Dentre as opções, temos o desenvolvimento de sistemas para condomínios, clubes e instituições religiosas; a composição de impressos (boletins informativos, jornais, autobiografias), a fabricação de brindes e a assistência técnica domiciliar.

Estudantes, donas de casa, aposentados e profissionais autônomos que queiram complementar renda ou então torná-la a principal fonte têm no computador doméstico uma alternativa viável. No entanto, não existe fórmula mágica para transformar o PC caseiro em máquina de fazer dinheiro. Isso dependerá do tipo de informação que se domina, recursos para investimentos, perfil dos futuros clientes e, principalmente, da localização geográfica a ser explorada. Encontre uma necessidade de mercado não atendida pelas grandes empresas e aí descobrirá um nicho a ser explorado.

Com a evolução da tecnologia presente em todos os setores da economia, tudo começa a ficar acessível a todos, permitindo expandir o poder de compra das pessoas. Entretanto, o único bem escasso será o personalizado. Quem conseguir, com seu PC doméstico, produzir serviços exclusivos e com custos mais acessíveis conquistará parcela significativa de consumidores.

Mas se você tem pressa em tornar seu computador um instrumental de trabalho rentável, aconselho-o a ler o livro O Escritório em Casa – Ganhando Dinheiro com seu Computador, dos autores Joanna Bawa e Manek Dubash, da Summus Editorial. Esse livro foi adaptado para os padrões da cultura brasileira.

Boa $orte!

* Luiz Henrique Quemel é Consultor em Informática, Analista de Inteligência e Educador Social.

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