[Livro] Gestão como Doença Social

gestao_doenca_social Sinopse. Sob uma aparência pragmática, a gestão constitui uma ideologia que legitima a guerra econômica e a obsessão pelo rendimento financeiro. Os “gestionários” instalam, na verdade, um novo poder gerencialista. Trata-se não tanto de um poder autoritário e hierárquico, e sim de uma incitação ao investimento ilimitado de si no trabalho, para tentar satisfazer os próprios pendores narcísicos e as próprias necessidades de reconhecimento. Trata-se de instilar nas mentes uma representação do mundo e da pessoa humana, de modo que o único caminho de realização de si consista em se lançar totalmente na “luta pelos lugares” e na corrida para a produtividade. Ora, a fim de melhor garantir seu empreendimento, essa lógica transborda seu campo e coloniza toda a sociedade. Hoje, tudo é gerenciado — as cidades, as administrações, as instituições, mas igualmente a família, as relações amorosas, a sexualidade. O Ego de cada indivíduo se tornou um capital que ele deve fazer frutificar.

Essa cultura do alto desempenho, porém, e o clima de competição generalizada, põe o mundo sob pressão. O assédio se banaliza, acarretando o esgotamento profissional, o estresse e o sofrimento no trabalho. A sociedade é apenas um mercado, um campo de batalha insensata, em que o remédio proposto aos malefícios da guerra econômica consiste sempre em agravar a luta. Diante dessas transformações, a política, contaminada por sua vez pelo “realismo gestionário”, parece impotente para delinear os contornos de uma sociedade harmoniosa, preocupada com o bem comum.
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Comentário do QUEMEL: Ele chegou e foi logo impondo a ideia de nos tornarmos uma unidade modelo para toda a instituição. Seu propósito megalomaníaco fez perdermos a melhor servidora. Ele não trabalhava. Passava o dia inteiro preenchendo planilhas com as mais variadas métricas. Dedico a ele esse post e uma passagem do livro intitulada “Quero ser número um”

“(…) quando cada um quer ser um campeão, ninguém mais se preocupa com o bem comum. A vida não tem mais outro sentido a não ser ultrapassar os outros e não se deixar ultrapassar. A perversão da concorrência começa no momento em que o homem acredita que, para ser o melhor, ele deve ser o primeiro.”

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