Livro revela enigma da profissão de jornalista

Estou formado, e agora? É a pergunta que se faz ao término do curso de jornalismo e grande parte dos jovens bacharéis em comunicação social não sabe respondê-la. Durante quatro ou cinco anos, a faculdade nos preparou para o emprego, principalmente aquele que não mais existe, nas redações de jornal, nas emissoras de televisão e rádio. Emprego no sentido pleno, com direito a férias, 13º, plano de saúde e outros benefícios. Seguindo a tendência de mercado, temos um enigma a ser decifrado: no futuro teremos muitos postos de trabalho, mas com poucas vagas de emprego.

É essa charada que o livro Jornalismo freelance – Empreendedorismo na comunicação, de João Marcos Rainho (Summus Editorial, 128 páginas, R$ 27,10), tenta resolver. A obra consegue transitar no espinhoso caminho entre o jornalismo impresso e a assessoria de imprensa com reflexões para ambos os casos, em que o profissional é convidado a militar. Original e escrita fora dos circuitos acadêmicos, a obra consegue falar sobre empreendedorismo na comunicação. O autor pisa em ovos e, de maneira sutil, expõe os bastidores tanto do jornalismo impresso quanto das assessorias de imprensa. Não é um livro de auto-ajuda: combate e expõe a diferença entre o trabalho do freelancer (sem vínculo empregatício) profissional e o freelance (trabalho independente) precário disfarçado sob a forma de empreendedorismo. Não há fórmulas prontas. O capítulo sobre como cobrar, por exemplo, tem apenas quatro parágrafos, o que incita o leitor a buscar sua própria forma de remuneração.

Não pense encontrar só dicas, técnicas e truques para se dar bem nessa forma de atuação, mas também reflexões oriundas de mestres como Peter Ducker (administração) e Fernando Dolabela (empreendedorismo). João Marcos Rainho não só ensina a pescar as ideias como também entrega o peixe ainda fresquinho para a devida degustação. Mostra que existem, além dos empregos, outras alternativas para a inserção no mercado de trabalho e, para os veteranos, outras possibilidades de um recomeço. Desfaz, inclusive, a confusão conceitual entre emprego e trabalho.

O livro apresenta o caminho das pedras de quem percorreu todos eles, mas é preciso cautela para que os leitores não confundam as reflexões com receitas de bolo. Nesse sentido, é bom saber a quantas anda nossa trajetória profissional, pois, dependendo de nossa escolha, precisaremos terraplanar a estrada ou tão-somente pavimentá-la.

O livro deverá se tornar bibliografia básica nos cursos de jornalismo, principalmente na disciplina Empreendedorismo na Comunicação, obrigatória em algumas instituições de ensino superior. Para o estudante e o recém-formado, é bussola para orientação do profissional numa perspectiva autônoma. Para os veteranos, uma forma de ter um plano B na carreira. Serve ao mesmo questionamento do início: estou desempregado, e agora?
[Leia o 1º capítulo aqui]

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