Vida de um Homem: Francisco de Assis, por Chiara Frugoni

Vida De Um Homem: Francisco De Assis “Francisco de Assis foi o responsável por uma das mudanças mais significativas por que passou o cristianismo. A decisão de se guiar pelo Evangelho e pela conduta de Cristo o aproximou da natureza e dos homens, afastando-o das posições que viam o mundo apenas como lugar da tentação e do pecado. Os ideais de pobreza, amor ao próximo, humildade, obediência e alegria possibilitavam uma experiência radical da existência cotidiana. Ao mesmo tempo em que permitiam transformá-la, a ponto de fazer convergir beleza espiritual e beleza sensível.

A um mundo que mudava rapidamente e que começava a pôr em xeque as bases do feudalismo, Francisco soube responder com uma religiosidade ativa e generosa. Ela falava mais de perto a homens e mulheres às voltas com novos problemas e práticas, que não se deixavam guiar apenas pelo temor a um Deus punitivo. Sem os franciscanos (e dominicanos), as iniciativas que conduziram às heresias- ou seja, às tentativas laicas de viver de forma cristã- poderiam ter um destino semelhante ao dos fundamentalismos de nossos dias”.

Vista retrospectivamente, a vida de Francisco parece coberta de sentido e determinação. Um dos méritos da biografia escrita por Chiara Frugoni está justamente em devolver ao pobre de Assis suas dúvidas, sua força e sua dimensão histórica. Francisco não nasceu santo nem alcançou a santidade por uma conversão que o livrasse de si mesmo. Ao contrário, desde que ele ouve a convocação feita pelo crucifixo da igrejinha de San Damiano, que não passa um só dia sem que se interrogasse sobre o verdadeiro comportamento cristão.

Para Francisco, a fé não assentava em preceitos institucionais. Para isso bastaria a adesão a um mosteiro, o que nunca fez. Tinha Cristo por modelo, amava os cavaleiros da Távola Redonda e rechaçava a violência dos cruzados. Pregava a obediência, liderou uma profunda mudança no catolicismo e terminou em minoria dentro de sua própria ordem. Ajudou a criar a noção moderna de individualidade e rejeitava o individualismo. Desprezava a arte e lançou as bases do Renascimento com sua revalorização do mundo sensível. Foi santo por não saber ao certo quem era Deus. Leia um trecho em PDF.

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